O House Foreign Affairs Commitee do congresso votou hoje a favor de o massacre na
Arménia perpetrado pela Turquia ser considerado genocídio. A votação, de 27 contra 21, não é vinculativa mas é o primeiro passo para que seja aprovada na Casa dos Representantes (BBC). O genocídio Arménio, ocorrido entre 1915 e 1917, causou a morte a centenas de milhar de Arménios, sendo 1,5 milhões o número defendido pela Arménia enquanto a Turquia reconhece 300 mil. O termo genocídio é aplicado a este caso apenas por cerca de 20 países. Como consequência da votação, o embaixador Turco foi chamado de volta ao seu país onde deverá permanecer até 10 dias “para ser consultado”, segundo o governo da Turquia.
O relatório de Lord Bryce sobre o genocídio, publicado em 1916, está disponível no New York Times. A acção turca é considerada neste relatório como uma tentativa de” exterminar a nação Arménia inteira “através da “deportação e assassinato” de “centenas de milhares de homens, mulheres e crianças”. George Bush já se tinha manifestado contra a votação por esta poder dificultar as relações entre os dois países, já divididos com a questão dos Curdos no Iraque (que a Turquia quer poder atacar), embora reconhecesse que tenham havido “assassínios em massa”. 70% dos carregamentos aéreos e 1/3 do combustível usados pelos americanos no Iraque passam pela Turquia. Para além de chamar de volta o Embaixador, a Turquia disse que os EUA estavam a “sacrificar grandes problemas por pequenos jogos políticos domésticos”.
Recorde-se que a palavra genocídio foi frequentemente usada em referência à limpeza étnica no Kosovo, que causou cerca de 3 mil mortes e acabou por motivar uma intervenção militar da NATO. Já nas escaramuças das últimas décadas entre Turquia e Curdos, que resultaram em cerca de 30 mil mortes (a maioria civis), foram sempre considerados como apenas “repressão” pelo governo Americano, que forneceu armamento à Turquia durante esse período. Neste caso o número é no mínimo 300 mil, podendo ascender a 1,5 milhões. Era desejável que os EUA e os países Europeus (muitos também ainda não reconhecem o genocídio arménio) fossem mais coerentes com o uso da palavra. Isto podia ser um começo.


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Turquia vai atacar Curdistão Iraquiano « a mansarda // 18 Outubro, 2007 às 0:02 |
[...] Outubro 17th, 2007 · No Comments Uma votação no parlamento turco autoriza as forças da Turquia a entrar em território iraquiano em perseguição de rebeldes do PKK. É uma medida unilateral que vai contra as directivas dos EUA e do governo iraquiano. Ontem, antes desta votação, a Turquia tinha já feito um ataque de artilharia a uma aldeia curda no Iraque. A UE, os EUA e a NATO consideram o PKK uma organização terrorista, e são-lhe atribuídas muitas mortes civis nos últimos anos do conflito com a Turquia (especialmente ‘colaboracionistas‘ curdos). No entanto a Turquia também tende a ter pouco respeito por civis curdos nas suas acções de retaliação, o que levanta alguma preocupação em relação a futuros ataques. A postura da Turquia para com os curdos também deixa muito a desejar em termos de direitos humanos, com um processo de aculturação motivado pelo forte nacionalismo turco. Esta resolução para entrar no Curdistão iraquiano é motivada pelos ataques recentes do PKK. Mas parece ser também um desafio aos EUA, que provocaram celeuma na Turquia com a votação para reconhecer o genocídio na Arménia. Como os EUA estão dependentes da Turquia para o abastecimento no Iraque, devem ter pouco poder negocial neste assunto. A Turquia já tinha avisado. [...]