continuação de O Milagre do Sol (1)

Chegada então a altura da explicação racional do fenómeno, 90 anos depois dos jornais anunciarem um milagre. Isto não vai mudar nada em relação a Fátima: esse outro fenómeno é uma entidade que se alimenta a si própria. Podiam surgir todas as explicações do mundo, a própria igreja podia repudiar o fenómeno (não o fará), podia ser provado que Lúcia era demente, mas mesmo assim Fátima permaneceria. É o problema da fé: assim que se aceita uma crença, não há razão que a demova. E Fátima é mais do que uma simples manifestação religiosa: é folclore popular. E folclore reforçado com religião é duro que nem pedra.
Mas há gente de bom senso que fica na dúvida quando confrontada com o milagre do sol. É compreensível, dada a desinformação que há cada vez que se fala nisso. Só ao ler os relatos da altura comecei a ter noção de que isto não era um fenómeno tão misterioso quanto isso. É só tão invulgar quanto o contexto em que se deu e um acto que é hoje considerado particularmente estúpido: olhar directamente para o sol. Os únicos fenómenos pouco comuns foram o sol ter aparecido particularmente fraco (normal, tinha chovido e tudo…) e o clima de euforia religiosa que eclipsou qualquer réstia de razão. Parece ridículo, e até certo ponto é mesmo, mas quanto mais leio os testemunhos à luz desta explicação, mais esta se apresenta mais sólida do que qualquer outra. Especialmente a explicação católica oficial que , mesmo se ignorarmos a ciência, tem mais buracos do que um queijo suiço.
Claro que não vale a pena gritar “eureka! eureka!” quando alguém já gritou “Milagre! Milagre!”, mas ficam aqui os argumentos…


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