a mansarda

Ilusionistas e Cepticismo (1)

14 Novembro, 2007 · 2 Comentários

É quase impossível um céptico não gostar de ilusionistas. Muitos dos métodos que usam fazem também parte do reportório de muitos charlatães, mas há uma diferença fundamental: o ilusionista não esconde que está a enganar a audiência. Mesmo com essa dose extra de desconfiança por parte do público, um bom ilusionista consegue sempre a mesma incredulidade como resposta.

Duas regras definem os ilusionistas: não revelar ao público em geral as artimanhas usadas, e não fazer crer que têm realmente poderes sobrenaturais. Estas regras, para além de protegerem e manterem a honra da profissão, servem para estimular o pensamento céptico: para satisfazer a curiosidade é preciso arranjar uma explicação para a ocorrência de algo que parece impossível mas tem uma explicação prosaica. Só não percebo porque é que quando se trata de fenómenos ‘paranormais’ (intervenções divinas incluídas) o número de pessoas que sequer tentam encontrar uma explicação racional é muitíssimo mais pequeno. A esmagadora maioria das vezes a única diferença em relação ao ilusionismo é que neste o artista admite à partida que vai ‘aldrabar’ (e até costuma apresentar demonstrações mais impressionantes).

Dos que tenho visto nos últimos tempos, Criss Angel parece ser dos mais interessantes. Esta foi a primeira ilusão dele que me mostraram:

Não é das mais complicadas de explicar, mas o reportório tem pano para mangas: é vê-lo a voar um pouco, andar sobre água, atravessar vidro, entrar onde não deve, fazer um dos poucos truques com uma moeda que valem a pena e apresentar uma versão bem mais difícil do velho ’serrar a pessoa a meio’:

Se calhar uma das coisas que mais gosto no Criss Angel é não só arranca da audiência exclamações de espanto como alguns gritos aterrorizados (um exemplo, um exemplo mais espalhafatoso, e um mais sangrento).

Muitas vezes consegue-se pelo menos avançar hipóteses para como as ilusões terão sido feitas. Por vezes as explicações até são mais rebuscadas que as técnicas usadas, mas ninguém com o mínimo de bom senso está disposto a aceitar uma causa sobrenatural como mais provável mesmo que se admita não ter informação suficiente para descrever com detalhe o que aconteceu (excluindo crianças e o ocasional caso patológico). Mas se em causa estiverem milagres ou pretensos poderes sobrenaturais, o céptico é acusado de ser uma pessoa de mente fechada que não aceita o que é óbvio: maravilhosos poderes para lá da nossa compreensão. Poupem-me.

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