Por ter feito referência ao dia nacional do não-fumador, ficava mal agora não falar no Dia Mundial em Memória dos Mortos na Estrada. No Montijo vão haver acções de sensibilização, uma largada de 78 balões brancos (um por cada vítima mortal este ano no distrito de Setúbal) e à uma o habitual minuto de silêncio. Em Vila Real também vai haver um minuto de silêncio depois do descerrar de uma placa em memória das vítimas no IP4. Não percebo que cultura é esta em que estar um minuto quieto sem fazer barulho é considerado um sinal de pesar ou deferência ou lá o que for.
O mais estranho são as comemorações em Évora: incluem um encontro de carros antigos, largada de pombos, uma “caminhada musical”, pára-quedistas e, para fechar, um “espectáculo dedicado ao dia mundial da memória” intitulado Dança pela Tarde. Deve haver aqui alguma simbologia que me está a escapar.
Quanto a medidas a sério não ouvi falar em nada, mas o presidente da República solidarizou-se com “todo o carinho” (também serve). Ficamos com o minuto de silêncio, bem dividido o tempo dá para dedicar 0,7 segundos a cada vítima (só no distrito de Setúbal, desde Janeiro) e ainda sobram 5 segundos para uma reflexão geral. Eu estive calado enquanto escrevia esta entrada: dever cumprido.


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