
Benazir Bhutto foi hoje assassinada num ataque suicida que matou também outras vinte pessoas. O assassino terá alvejado Bhutto no pescoço e na cabeça antes de se fazer explodir. Alguns tumultos têm irrompido no Paquistão em reacção ao assassinato, pondo mais uma vez em cheque a frágil estabilidade do país.
Alguns populares acusam Musharraf de participação na conspiração para o assassinato, outros criticam a forma como o governo negligenciou a segurança de Bhutto, que já em Outubro tinha escapado a um atentado. Pessoalmente estou mais alinhado com os segundos, não acredito que Musharraf tenha algum tipo de controlo sobre os fundamentalistas (o contrário parece-me mais realista), apesar do interesse em ter Bhutto eliminada e em evitar uma possível transição democrática no país.
Benazir Bhutto, educada em Harvard e Oxford, defendia um maior alinhamento estratégico com os EUA, incluindo permitir intervenções americanas no norte do Paquistão. A dupla Musharraf-Bhutto era a grande esperança americana para manter algum controlo e estabilidade no Paquistão.
Bhutto era a única personalidade que eu via com o potencial para unir uma parte significativa da população em torno de um governo minimamente progressista que pudesse evitar a degeneração do Paquistão numa teocracia sunita. Entre 1988 e 1996 conseguiu ser Primeira Ministra do Paquistão, um feito inédito num país muçulmano. O futuro do Paquistão é agora mais incerto, mas uma democracia parece cada vez mais uma miragem.
Infelizmente, apenas consigo olhar para este evento como o prelúdio da tomada do poder por parte de fundamentalistas islâmicos. Caso este cenário se venha a verificar, existe uma forte probabilidade de uma intervenção militar americana para impedir que o arsenal nuclear paquistanês caia nas mão de islamofascistas. Esperemos que não tenha de chegar a esse ponto.


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