Já deve ter dado para perceber que faço uma interpretação bastante liberal do dia de reflexão — liberdades de um blog com pouca audiência. E enquanto não me for deitar ainda é sexta. Sábado não deverão haver referências directas.
Muita gente não acredita no sistema e tem razões para isso. Partir daí para a abstenção (ou para o igualmente inócuo voto branco/nulo) já não tem grande justificação. Em 17 partidos há de haver um que nalgum aspecto é menos mau que os outros.
Há que esquecer a obstinação sebastianista de esperar por um partido que nos represente plenamente. Às vezes é preciso encarar o processo eleitoral numa perspectiva darwinista. Decidir quais são as características realmente importantes e quem está perto de as ter, e dar-lhes o voto com a esperança de que evoluam na direcção certa.
Dito isto, há um partido que se tem distinguido na denúncia de casos de corrupção e favorecimentos de interesses privados à custa do erário (os grandes cancros deste país). Que sempre denunciou as PPPs. Que tem propostas concretas e exequíveis em defesa da justiça fiscal, combate à evasão fiscal, e tributação de sectores que sem produzir valor acrescentado absorvem capital que deveria ir para a parte saudável da economia. Que nas questões de “valores” se aproxima mais de mim e defende a liberdade individual. Que se opõe ao tratamento especial dado à religião católica. Que sabe que o aumento da competitividade pelo corte no custo dos recursos humanos é pernicioso. Que compreende a insustentabilidade da estratégia actual de combate à dívida externa.
Em suma, há um partido que apesar dos seus defeitos é o que me resta. Agora é esperar que amadureçam e principalmente que não voltem a repetir o último erro de não participar numa negociação. Porque estou a votar por muitas razões, e nenhuma delas é não querer ser representado.
