Confesso que nunca percebi porque raio havia o governo de dar pontes. Mas também não percebo porque não se lembrou o Henrique Raposo do «país-das-pontes-e-tolerâncias-de-ponto» quando foi a vez da tolerância para o Papa. A verdade é que deve haver mais gente a celebrar o Carnaval do que a ir ver o Papa, se o critério era esse. E se ao Henrique causam arrepios as grandes concentrações de católicos, há quem prefira tê-los envergando uma “tanguinha” em Fevereiro.
O que me leva sempre à questão da separação entre Igreja e Estado. Foi completamente absurdo pedir à Igreja se podia eliminar dois feriados religiosos a troco de um civil. Foi igualmente absurda a escolha dos feriados civis a abolir. Caso alguém queira rever isto, ficam as recomendações:
Feriados a manter sem discussão:
- 1 de Janeiro – Feriado pragmático também conhecido como o dia da ressaca. Provavelmente é melhor para a produtividade do país impedir as pessoas de trabalhar neste dia.
- 25 de Abril – Vá lá, tentem acabar com este para o ano; há de ser engraçado.
- 1 de Maio – Os alemães também celebram, não corremos risco de dar “imagem negativa”.
5 de Outubro- República Portuguesa.1 de Dezembro- República Portuguesa.- 25 de Dezembro – Velhas celebrações do solstício de Inverno, mais tarde oficializadas na Saturnália, mais tarde apropriada como Natal. Na prática é o dia da família, e acho que ninguém lhe quer mal.
Feriados assim-assim:
- 10 de Junho – Quando se quer celebrar um país escolhe-se o dia da sua fundação ou independência. Já foi um pouco conspurcado como o “Dia da Raça”. Não faz sentido haver um dia de Camões e Pessoa não ter nada (são gostos). Trabalhar é bem menos deprimente que ver o Carlos Cruz e a Manuela Ferreira Leite serem condecorados.
- Carnaval – Marcava o fim do Inverno nos tempos em que isso interessava para alguma coisa e ainda usávamos calendários lunares. Se tiver mesmo de ser móvel podiam ter a decência de o passar para uma sexta-feira. De resto um dia oficial de regabofe não parece assim tão má ideia.
- Páscoa - Um feriado que calha sempre num domingo parece uma brincadeira de mau gosto. Eliminá-lo melhorava-nos o número de feriados sem grande impacto. Na prática é um Natal light mas com cabrito e sem consumismo desenfreado.
Feriados que não fazem mesmo sentido:
- Sexta-Feira Santa - Passos Coelho ainda tem dificuldade em dormir à noite só de pensar que a troika foi trabalhar neste dia e nem sequer apanhou trânsito. Para celebrações que não envolvam carne e álcool não contem comigo. Quanto mais deprimente for o emprego mais sentido faz trabalhar neste dia para relembrar o sofrimento de Cristo.
Corpo de Deus- Como se não bastassem todos os domingos, há mais um dia obrigatório no calendário católico para celebrar o canibalismo. Pode-se trabalhar e ir à missa e procissões no final do dia. Bem eliminado.15 de Agosto– Um feriado em Agosto é algo que só descobrimos quando começamos a trabalhar. Celebra um evento completamente acessório da doutrina católica, sem suporte bíblico e só confirmado por um Papa em 1950. Até dentro da Igreja devia ser difícil justificá-lo.- 8 de Dezembro - Durante anos pensei que celebrasse Maria não ter tido relações sexuais. Afinal festeja os pais de Maria não terem tido relações sexuais. A celebração existia antes mas no século XIX um Papa achou que dedicá-la a este novo dogma fazia sentido. Agora tentem explicar a um cliente estrangeiro que não vão trabalhar nesse dia porque os avós maternos de Jesus não dormiam juntos. É de longe o feriado nacional mais embaraçoso.

Muuuuuuuiiiiiito bom mesmo!!
Fartei-me de rir com o feriado do 8 de Dezembro, o ragabofe do Carnaval e outros que tais.. continua!
Já agora, passa no meu hein!
Estou em greve até haver uma proporção mais equilibrada de visitas/comentários, porque neste momento é 400/2..
Beijo