a mansarda

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Ayaan Hirsi Ali acolhida pela Dinamarca

17 Outubro, 2007 · Sem Comentários

O governo dinamarquês ofereceu-se para pagar as despesas com seguranças de Ayaan Hirsi Ali, autora do livro Infidel e argumentista da curta-metragem Submissão de Theo Van Gogh, caso ela aceite viver na Dinamarca (spiegel). Este convite vem depois de o governo holandês ter deixado de pagar essas despesas enquanto Hirsi Ali estava nos EUA. A necessidade de segurança é consequência de ameaças de morte que recebe desde 2004, ano em que o filme Submissão foi lançado. O realizador desta curta-metragem foi assassinado na Holanda por um fundamentalista islâmico nesse mesmo ano. Para saber mais sobre Hirsi Ali nada como ouvir a história contada pela própria, gravada na conferência anual da Atheist Alliance International.

Rui Carmo prevê a “violência habitual a indignação a que têm direito (divino e constitucional)” como resposta à Dinamarca da sempre comichosa comunidade fundamentalista islâmica, recordando o infame episódio dos cartoons. Sobre isto mais uma referência ao documentário Why Democracy?, já referido antes a propósito do segmento Please vote for me. É possível ver no site oficial uma amostra do filme Bloody Cartoons sobre a reacção histérica aos cartoons dinamarqueses (que acabou por resultar em mais de 150 mortos). Fortemente recomendado, mesmo para quem ainda se lembra dos protestos. Se reagiram assim a cartoons sem qualquer apoio do governo, que mais podem fazer a respeito desta posição política tão marcada? Penso que… nada.

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Festival dos pequenos déspotas

7 Outubro, 2007 · 1 Comentário

Weijun Chen escreve na BBC sobre Please Vote for Me, o trabalho do realizador integrado no documentário Why Democracy?.

Filmando uma turma da terceira classe durante a eleição do chefe de turma, Chen tenta descobrir como reage a China à democracia. Para os miúdos, num país educado para respeitar a autoridade, é a hipótese de ter poder. Para os pais dos miúdos, num país onde 60% dos licenciados sonham com uma carreira no governo, é uma oportunidade para treinar os seus rebentos, filhos únicos, na realpolitik que os poderá levar a grandes cargos.

Nas imagens os dois pesos pesados da eleição: Luo Lei (à esquerda), o candidato do sistema no poder há 2 anos, e Cheng Cheng (direita), dotado de um espírito maquiavélico digno de Karl Rove. Xiaofei é a underdog, aceita com relutância candidatar-se a pedido da mãe.

Cheng Cheng está na política como peixe na água. No excerto disponível no YouTube é vê-lo a prometer cargos em troca de votos, a espiar adversários e a sabotar o discurso de Xiaofei.

Cheng Cheng, whose ultimate ambition was to be president of China, wanted to be class monitor because, he said: “You can order people around.”
He was coached by his parents in speechmaking, singing, and wrong-footing his rivals.

 

A pobre Xiaofei acaba por sucumbir à pressão. Mas o trabalho do pequeno manipulador não se fica por aqui. No dia seguinte diz a Xiaofei que foi tudo uma maquinação de Luo Lei, para depois tentar a mesma táctica durante o discurso deste.

Luo Lei parece mais ponderado, com uma postura mais própria de um estadista chinês.

When asked whether he wanted the help of his parents in securing his classmates’ votes, he said: “No, I will rely on my own strength.
“I don’t want to control others. People should think for themselves.”

Idealista? Ou terá um domínio de doublespeak para lá dos seus 8 anos de idade? O departamento da polícia a que o pai pertence controla o monocarril e oferece à turma uma viagem. Os pais de Luo Lei também lhe compram presentes para ele oferecer aos colegas no fim do discurso.

Um duelo de titãs, portanto. No embate final, Cheng Cheng acusa Luo Lei de ser um déspota e de bater nos colegas. Luo Lei defende-se dizendo que até os pais batem nos filhos e que ele só o faz quando alguém se porta mal. Admite mudar se o método estiver errado.

No final, a turma concorda que Luo Lei é muito severo mas acaba por elegê-lo num sufrágio de voto secreto. O realizador conclui:

I believe the children’s joy and sorrow throughout the election, their winning and losing, truly reflect the tough yet hopeful democratisation process in China.

 

A mim só me relembra que uma democracia formal não garante democracia real em lado nenhum. Raramente o povo mostra mais discernimento que a turma da terceira classe. O mundo pertence aos ‘Luo Lei’s e aos ‘Cheng Cheng’s.

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The Planets (1999)

1 Outubro, 2007 · Sem Comentários

via DavidThompson

Está disponível no veoh (gratuitamente e com qualidade de imagem) a série The Planets, documentário da BBC sobre a descoberta e exploração do sistema solar. Já lá estão 6 dos 8 episódios da série, que deve ficar disponível na íntegra em breve. Está aqui a página que os agrega. Os oito episódios são: Different Worlds, Terra Firma, Giants, Moon, Star, Atmosphere, Life e Destiny. Ainda vi pouco mas parece do melhor que se tem feito na era pós-Sagan, com imagens geradas por computador (muito boas contando com os seus 8 anos de idade), filmagens inéditas, algumas vindas do arquivo soviético, e uma boa selecção de cientistas. A narração e banda sonora também não desapontam.

Só é pena o wordpress ser um pouco elitista nos vídeos que deixa embeber. Fica então o link outra vez.

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