Por mais explicações que tente arranjar, não descortino nenhuma hipótese de se tratar de um mal entendido. Uma vítima de agressão é levada para a esquadra e despida numa cela com sete polícias de ambos os sexos. Quando está completamente nua são dois do sexo masculino que a agarram, os últimos a sair da cela. Um estranho caso de violência policial. O caso passou-se há cerca de 15 meses no Ohio, o vídeo foi publicado no início do mês (a pedido da vítima) e colocado hoje no YouTube. O rawstory tem mais detalhes sobre a história. Espera-se que seja mesmo um caso isolado.
Dada a influência que os EUA têm sobre o destino do mundo, acaba por ser um bocado injusto que apenas os americanos tenham o direito de votar - especialmente tendo em conta a falta de bom senso (e as trafulhices) que marcaram as duas últimas eleições na grande superpotência. Resta-nos apenas seguir apreensivamente os desenvolvimentos, e a super tuesday (este ano uma super-duper tuesday por incluir mais estados) trouxe finalmente uma ideia mais clara sobre o que esperar dos dois partidos no sufrágio que se avizinha (valores aproximados, ainda não encontrei dois sites com resultados idênticos) . Razão suficiente para debitar as minhas primeiras impressões, começando pelo pior cenário: se tivermos de aturar mais um republicano. (more…)
Na madrugada de sábado para domingo a Turquia lançou a sua primeira ofensiva aérea em território iraquiano, levada a cabo por cerca de 50 aviões, dois meses depois de o parlamento turco ter autorizado incursões contra alvos do PKK para lá da fronteira.
De acordo com as autoridades iraquianas dez aldeias foram atingidas resultando na morte de uma mulher. Segundo o PKK “muitos civis” terão ficado feridos e dois terão morrido, para além dos cinco combatentes mortos e dois feridos da organização terrorista.
Contexto
Retomando o tema desde a última entrada sobre esta questão, pouco depois de o parlamento ter votado a favor de incursões em território iraquiano as forças turcas lançaram ataques sobre a região curda da Turquia. Cem mil soldados turcos foram concentrados na fronteira com o Iraque, levantando a hipótese de uma invasão. As acções da Turquia foram despoletadas pela morte de doze soldados turcos e rapto de outros oito durante uma emboscada do PKK. O PKK alega ter agido em defesa a uma iniciativa das forças turcas.
Segundo o Major-General aposentado Armagan Kuloglu, o objectivo da mobilização militar será limitar as acções do PKK, colocar pressão sobre os EUA e o Iraque para resolverem a questão e sobretudo apaziguar a opinião pública turca. O conflito tem resultado em mais mortes do lado turco, que têm ajudado a alimentar o nacionalismo e a animosidade contra o PKK. Os curdos do norte do Iraque parecem ser favoráveis ao PKK e desconfiados em relação aos motivos da Turquia.
A administração americana, que depende da Turquia para manter a logística que a manutenção de tropas no Iraque requer, tem-se esforçado por atingir uma solução diplomática que evite a destabilização da região e deterioração das relações entre os EUA e a Turquia. Os EUA têm exercido pressão sobre o governo Iraquiano, que por sua vez pressionou o governo regional curdo levando à libertação dos oito prisioneiros turcos detidos pelo PKK.
A libertação dos soldados não parece ter tido o efeito apaziguador pretendido. O Ministro da Justiça turco Mehmet Ali Sahin afirmou ser preferível que os soldados tivessem morrido em combate em vez de se deixarem capturar. Esta postura parece ser maioritária na opinião pública turca, com acusações de cobardia, comportamento vergonhoso por parte dos soldados e até de traição aos outros doze soldados que foram mortos aquando da captura. Nas forças armadas turcas prossegue uma investigação para determinar se os soldados foram “voluntariamente” com o PKK, podendo ser acusados de afiliação com uma organização terrorista em caso afirmativo.
Eu tinha de pôr aqui esta imagem (a cara do Sarkozy…). Já agora fica também a notícia: Sarkozy foi muito aplaudido no congresso americano, e parece que as relações entre os dois países vão de vento em popa. Longe vai o tempo das freedom fries… (BBC|Spiegel|LeMonde)
Lendo o discurso de Sarkozy não é difícil perceber a standing ovation.(e parece que a França vai voltar para a NATO) O presidente francês esforçou-se por fazer esquecer Chirac num longo e rasgado elogio aos EUA: desde Lafayette, passando por como os EUA salvaram a Europa nas duas guerras mundiais, plano Marshall, Kennedy, Elvis Presley, John Wayne… A ênfase esteve sobre a insegurança mundial e a necessidade de combater o terrorismo e a proliferação nuclear, pontos muito queridos na agenda americana. Pelo meio tocou na falta de empenho dos EUA no aquecimento global e na necessidade de repensar o FMI e o Banco Mundial. Resumindo, alinhamento estratégico mas com reservas:
I want to be your friend, your ally and your partner. But a friend who stands on his own two feet. An independent ally. A free partner.
Maior tentativa de aproximação mas a promessa de ainda dar algumas dores de cabeça a Washington (o costume). E para fechar, Sarkozy escolheu Lafayette outra vez:
It is this ambitious France that I have come to present to you today. A France that comes out to meet America to renew the pact of friendship and the alliance that Washington and Lafayette sealed in Yorktown.
Tanta conversa sobre as ambições da França e Lafayette lembra-me um excerto de Eddie Izzard (aí pelos 3 minutos, mas vale a pena ver o resto)…
Uma votação no parlamento turco autoriza as forças da Turquia a entrar em território iraquiano em perseguição de rebeldes do PKK. É uma medida unilateral que vai contra as directivas dos EUA e do governo iraquiano. Ontem, antes desta votação, a Turquia tinha já feito um ataque de artilharia a uma aldeia curda no Iraque. A UE, os EUA e a NATO consideram o PKK uma organização terrorista, e são-lhe atribuídas muitas mortes civis nos últimos anos do conflito com a Turquia (especialmente ‘colaboracionistas‘ curdos). No entanto a Turquia também tende a ter pouco respeito por civis curdos nas suas acções de retaliação, o que levanta alguma preocupação em relação a futuros ataques. A postura da Turquia para com os curdos também deixa muito a desejar em termos de direitos humanos, com um processo de aculturação motivado pelo forte nacionalismo turco.
Esta resolução para entrar no Curdistão iraquiano é motivada pelos ataques recentes do PKK. Mas parece ser também um desafio aos EUA, que provocaram celeuma na Turquia com a votação para reconhecer o genocídio na Arménia. Como os EUA estão dependentes da Turquia para o abastecimento no Iraque, devem ter pouco poder negocial neste assunto. A Turquia já tinha avisado.
O House Foreign Affairs Commitee do congresso votou hoje a favor de o massacre na Arménia perpetrado pela Turquia ser considerado genocídio. A votação, de 27 contra 21, não é vinculativa mas é o primeiro passo para que seja aprovada na Casa dos Representantes (BBC). O genocídio Arménio, ocorrido entre 1915 e 1917, causou a morte a centenas de milhar de Arménios, sendo 1,5 milhões o número defendido pela Arménia enquanto a Turquia reconhece 300 mil. O termo genocídio é aplicado a este caso apenas por cerca de 20 países. Como consequência da votação, o embaixador Turco foi chamado de volta ao seu país onde deverá permanecer até 10 dias “para ser consultado”, segundo o governo da Turquia. (more…)
Na Birmânia (ou Mianmar, discussão aqui), a situação parece agravar-se. As fortes crenças religiosas não parecem ser detractores suficientes para as investidas das forças governamentais, tendo pelo menos um monge sido morto, estando outros dois nos cuidados intensivos. Na lista deste ano da Transparency Internationala Birmânia junta-se à Somália e ao Iraque no fundo da tabela da corrupção (a liberdade de imprensa não é melhor). Razões suficientes para uma continuação da entrada anterior.
No New Statesman Michael Charney, historiador especialista em História birmanesa, explica o contexto da situação actual na Birmânia. Conclui dizendo que já estamos para lá da altura em que sanções poderiam surtir alguma mudança, e que a opção mais realista passa por pressionar a China (”soft pressure”) a obrigar o regime a abdicar a favor da Liga Nacional para a Democracia. Relatos vindos do interior do país podem seguidos a partir da BBC.
Um estudante americano foi agredido com um taser num fórum da University of Florida enquanto John Kerry ocupava o pódio. Fica aqui o vídeo que relata o evento e os momentos antes. (more…)
Um tiroteio envolvendo seguranças da Blackwater USA domingo passado trouxe a empresa privada de ’segurança’ (mercenários) para a ribalta. Resultou em 8 mortos e 13 feridos (aparentemente aleatórios), levando à revogação por parte das autoridades iraquianas da licença da empresa. Ainda pendente está a hipótese de a empresa ser levada a tribunal no Iraque. (more…)