a mansarda

Entradas marcadas como ‘islão’

Eu acho que o urso tem mais cara de Meireles

29 Novembro, 2007 · Sem Comentários

(BBC) Gillian Gibbons, de 54 anos, professora no Sudão de nacionalidade inglesa. Em Setembro cometeu o erro de deixar a turma escolher o nome de um urso de peluche. Erro porque Mohammad, Maomé, é um nome comum entre países muçulmanos (tive uma vez um iraniano na minha turma com esse nome), e uma das crianças achou que seria boa ideia dar o seu nome próprio ao simpático ursinho.

Assim que saiu cá para fora que a inglesa tinha dado o nome de Maomé a um urso de peluche, ela foi acusada de insultar a religião, incitar ao ódio e mostrar desprezo por crenças religiosas. Se for condenada, pode enfrentar uma pena de prisão, uma multa ou quarenta chicotadas (é a Sharia…). A perigosa prevaricadora aguarda julgamento em prisão preventiva.

Sudan’s top clerics have called for the full measure of the law to be used against Mrs Gibbons and labelled her actions part of a Western plot against Islam.

Dentro de toda a imbecilidade que se vê nas teocracias, esta notícia parece merecer um prémio. Na reacção do governo britânico, os paninhos quentes do costume:

Meanwhile, in London Mr Miliband met the Sudan ambassador to discuss the case, reminding him of Britain’s “long-standing tradition of religious tolerance”. (…)

After the meeting with Ambassador Omer Siddig, Mr Miliband said he emphasised Britain’s respect of Islam and the “close relations” between the two countries.

Claro, é o grande Islão, não podemos ofender o grande Islão, nós até gostamos muito do Islão, pedimos desculpa, não podem deixar passar esta nossa transgressão? Se uma professora inglesa fosse presa em Portugal por um motivo idiota destes acho que já estaríamos a receber um ultimato inglês. Numa coisa Miliband tem razão, poucos países têm a tolerância servil e alucinada que o Reino Unido tem perante o Islão. A imagem que se segue é retirada de um artigo de Christopher Hitchens na Vanity Fair, Londinstan Calling:

 Tolerar os intolerantes, historicamente, nunca deu muito bom resultado. Nas democracias civilizadas, é normal delinear-se o limite da liberdade de expressão no incitamento à violência. Nesta fotografia, tirada em frente à embaixada francesa em Londres, pode ler-se que quem insulta o islão deve ser decapitado e ainda aproveitam para prometer à Europa mais um 11 de Março. Foi por causa dos cartoons dinamarqueses, mas podia ser por qualquer outra coisa. Temos de tolerar esta cambada de fanáticos?

Voltando ao ursinho Maomé, as últimas linhas da notícia na BBC:

 a spokesman for the Muslim youth organisation, the Ramadhan Foundation, said “this matter is not worthy of arrest or detention and her continued detention will not help repair the misconceptions about Islam.”

Misconceptions?

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Andy Thomson sobre Terroristas Suicidas

23 Outubro, 2007 · Sem Comentários

Andy Thomson, psiquiatra, fala na AAI deste ano sobre terroristas suicidas, no que será talvez a apresentação mais completa sobre o tema que é possível fazer em menos de 1 hora. Na primeira parte dá conta da gravidade do problema do terrorismo suicida, com uma perspectiva histórica e números que mostram como tem aumentado desmesuradamente, e delineia o resto da palestra. Os hashashin são apenas brevemente referidos, mas vale a pena ler um pouco sobre os métodos usados para endoutrinar este grupo de elite de assassinos islâmicos. A palestra centra-se sobre o perfil de terroristas suicidas dos dois géneros e as tendências naturais que possibilitam estes ataques, que são justificadas do ponto de vista evolutivo. O outro tema chave é a descrição dos mecanismos cognitivos que tornam o ser humano susceptível à doutrinação religiosa, e como estes são usados para propiciar este tipo de acções terroristas.

Parte 1: Introdução e sumário

Parte 2: Explicação:

Parte 3: Perguntas e respostas

(more…)

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Ayaan Hirsi Ali acolhida pela Dinamarca

17 Outubro, 2007 · Sem Comentários

O governo dinamarquês ofereceu-se para pagar as despesas com seguranças de Ayaan Hirsi Ali, autora do livro Infidel e argumentista da curta-metragem Submissão de Theo Van Gogh, caso ela aceite viver na Dinamarca (spiegel). Este convite vem depois de o governo holandês ter deixado de pagar essas despesas enquanto Hirsi Ali estava nos EUA. A necessidade de segurança é consequência de ameaças de morte que recebe desde 2004, ano em que o filme Submissão foi lançado. O realizador desta curta-metragem foi assassinado na Holanda por um fundamentalista islâmico nesse mesmo ano. Para saber mais sobre Hirsi Ali nada como ouvir a história contada pela própria, gravada na conferência anual da Atheist Alliance International.

Rui Carmo prevê a “violência habitual a indignação a que têm direito (divino e constitucional)” como resposta à Dinamarca da sempre comichosa comunidade fundamentalista islâmica, recordando o infame episódio dos cartoons. Sobre isto mais uma referência ao documentário Why Democracy?, já referido antes a propósito do segmento Please vote for me. É possível ver no site oficial uma amostra do filme Bloody Cartoons sobre a reacção histérica aos cartoons dinamarqueses (que acabou por resultar em mais de 150 mortos). Fortemente recomendado, mesmo para quem ainda se lembra dos protestos. Se reagiram assim a cartoons sem qualquer apoio do governo, que mais podem fazer a respeito desta posição política tão marcada? Penso que… nada.

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Idiotices de meia lua

9 Outubro, 2007 · Sem Comentários

No times: Muslim medical students get picky

Existem estudantes de medicina muçulmanos que não querem saber sobre DSTs e álcool por conflitos religiosos. Até há os que se recusam a examinar mulheres. Nos comentários aparece gente indignada por a notícia não dar a ideia certa do que é o Islão, apesar de o jornal fazer questão em usar ‘Some’ e ‘a small number of’. Aquilo é uma notícia sobre um facto aberrante e não um tratado sobre médicos muçulmanos! É o costume, também quando se fala em terroristas islâmicos é preciso sempre juntar no fim um “Islão é Paz”, não se vá ferir as susceptibilidades religiosas.

Na Sainsbury’s, cadeia de supermercados e lojas de conveniência inglesa, não só o caixa se pode recusar a vender álcool, um farmacêutico também pode recusar a pílula do dia seguinte a uma cliente. Tudo pelo respeito das convicções religiosas dos empregados. Imagino um caixa ecologista que só deixa passar orgânicos, ou um bibliotecário ateu a se recusar a indicar onde está uma bíblia. Seriam mandados para o desemprego, e com justa causa.

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