Tentativa de demissão do PGR: Reacções

A propósito da notícia do SOL baseada em escutas do processo Portucale, que foi referida num post anterior, o Governo mantém-se em silêncio e adensa-se a teoria de os casos Portucale e Casa Pia terem tido grande peso sobre as mudanças nos Códigos Penal e de Processo Penal. As reacções:

Sócrates recusou-se a comentar o caso e terá dado ordens explícitas aos membros do seu gabinete para que não fizessem comentários, à excepção de Rui Pereira a quem foi permitida uma ‘nota pessoal’. Ainda segundo o SOL, um “destacado socialista” terá dito: “Num outro país qualquer, isto teria consequências muito graves”. Um “dirigente do PS” considera as escutas “provocatórias para o Estado de direito”. Ainda segundo esse dirigente “Está tudo calado, mas há uma grande preocupação. Isto não acaba aqui”.

António Reis, o grão-mestre do Grande Oriente Lusitano, respondeu dizendo que se tratou de uma acção “individual” levada a cabo pelos seus membros, e que falar de envolvimento da maçonaria faz tanto sentido «como atribuir responsabilidades ao Benfica ou ao Sporting, se for o caso de Rui Pereira ou Abel Pinheiro serem adeptos destes dois clubes». [Acho que se sobre Benfica e Sporting pesassem fortes suspeitas de servirem de centros de tráfego de influências na política nacional, se pertencessem ambos à mesma casa do Benfica na altura e se tivessem depois fundado uma em conjunto, talvez a comparação do grão-mestre fizesse sentido. E seria sem dúvida razão para investigar que outros interesses se moveriam nessas instituições.]

António Arnaut, ex-grão-mestre do Grande Oriente Lusitano: “A maçonaria prossegue objectivos nobres e junta pessoas de muitas sensibilidades e de religiões diferentes.(…) Algo diferente é estarem em causa interesses privados ilegítimos, isso seria uma conspiração e a negação dos valores que defendemos”.

Rui Pereira, usando o direito à resposta no SOL, negou ter movido qualquer influência ilícita e que apenas tomou conhecimento do processo Portucale pela comunicação social. Também diz que nunca falou com “nenhum dirigente político, fosse de que partido fosse, acerca de questões de financiamento partidário”. Quanto às escutas: “Em escutas que se refiram a conversações em que eu intervenha, fornecidas, obtidas e publicadas ilicitamente, só pode estar em causa uma referência à possibilidade de investigações ou escutas ilícitas a partidos políticos”.

Paulo Portas: “Não posso comentar escutas que, de acordo com a lei, deviam ter sido destruídas e que, também de acordo com a lei, não podiam ter sido publicadas sem o consentimento de quem foi escutado”.

António Cluny, presidente do sindicato dos magistrados do Ministério Público: “Não constitui para nós uma surpresa. Na altura, tínhamos sido já alertados por alguns responsáveis políticos para essa eventualidade. (…) Infelizmente (…) não podemos deixar de associar a situação então vivida ao sentido de muitas das alterações legislativas na área da Justiça que se seguiram“.

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