Andy Thomson sobre Terroristas Suicidas

Andy Thomson, psiquiatra, fala na AAI deste ano sobre terroristas suicidas, no que será talvez a apresentação mais completa sobre o tema que é possível fazer em menos de 1 hora. Na primeira parte dá conta da gravidade do problema do terrorismo suicida, com uma perspectiva histórica e números que mostram como tem aumentado desmesuradamente, e delineia o resto da palestra. Os hashashin são apenas brevemente referidos, mas vale a pena ler um pouco sobre os métodos usados para endoutrinar este grupo de elite de assassinos islâmicos. A palestra centra-se sobre o perfil de terroristas suicidas dos dois géneros e as tendências naturais que possibilitam estes ataques, que são justificadas do ponto de vista evolutivo. O outro tema chave é a descrição dos mecanismos cognitivos que tornam o ser humano susceptível à doutrinação religiosa, e como estes são usados para propiciar este tipo de acções terroristas.

Parte 1: Introdução e sumário

Parte 2: Explicação:

Parte 3: Perguntas e respostas

Um ponto muito interessante, e raramente referido quando este tema é abordado, é a distinção entre as motivações de terroristas suicidas do sexo masculino e feminino. A motivação masculina é sumarizada como retaliation bargaining. Vai buscar as suas raízes à propensão natural para lethal raiding, a tendência (por razões evolutivas) para elementos (masculinos) de uma comunidade cometerem ataques organizados sobre uma comunidade vulnerável, basicamente o mesmo impulso intrínseco que origina o hooliganismo. O terrorismo é uma versão extrema desta vontade inata, em que o sujeito se vê desprovido de outra forma de retaliação.

A motivação principal do sexo feminino é mais interessante, Thomson chama-lhe burdomsomeness e está mais relacionada com o suicídio propriamente dito do que com propensão para violência. Há um padrão comum nas suicidas islâmicas: jovens na casa dos 20, sofreram uma perda pessoal significativa e são vítimas de rejeição social extrema: foram sujeitas a violência sexual, cometeram adultério, são inférteis e/ou divorciaram-se.Este último ponto em comum exacerba ainda mais o papel da religião no terrorismo suicida, já que este tipo de causas dificilmente levam a um estigma social deste calibre numa sociedade secularizada.

A descrição dos mecanismos cognitivos de que a religião se serve para tomar controlo de um indivíduo podia ser um pouco mais aprofundada, mas é o tempo disponível. Uma nota à parte: caso a inclusão do amor romântico nestes factores pareça abusiva, basta ler esta confissão da “santa” Teresa de Ávila. As ‘santas’ são muito subestimadas.

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