Ilusionistas e Cepticismo (2)

Continuando a entrada anterior, a principal arma dos ilusionistas: desviar a atenção. Mesmo as ilusões tecnicamente elaboradas costumam contar em boa parte com essa capacidade de manipulação. Os truques mais simples são os que mais se baseiam em pequenas manipulações da atenção, cómicas quando visíveis a todos menos à vítima:

Esta categoria de manipulações até já teve direito a algum estudo científico. É interessante ver o vídeo do viscog (um clássico) e tentar contar à primeira quantas vezes a rapariga da direita agarra na bola – só conheço uma pessoa que tenha contabilizado as vezes todas, requer muita atenção (caso alguém tenha tentado contar o número exacto, fica aqui o resultado para confirmação: não faço ideia, mas tem piada como ninguém costuma reparar no gorila). Voltando ao Criss Angel, uma ilusão simples que nem sequer necessita de habilidade manual:

Impressionante como basta um pouco de manipulação mental (fora a parte da cadeira) para tornar o óbvio misterioso. Um truque tão simples que julgo nem correr o risco de errar nos pormenores. Ainda assim o texto fica branqueado para só servir de confirmação. Os três toques são dados logo que o número é escolhido, quando Criss Angel ainda está perto da moça da direita. Como ela tem os olhos fechados nunca sabe quando é feita a demonstração visual, e ele tem o cuidado de só falar com ela quando está mais perto. Na segunda vez que ele lhe ‘toca’ ela apenas ouve um pedido para confirmar o que tinha dito antes, ignorando a segunda demonstração. O resto são adereços ‘armadilhados’.

Ainda nas ilusões simples, David Blaine é um ilusionista medíocre comparado com Criss Angel, mas útil neste tema já que parece depender muito de truques de algibeira já vistos antes. Estes costumam resultar, como provam as suas duas ilusões de levitação: numa parece usar uma variação elegante do Sooperman, e noutra até a levitação de Balducci resulta (basta um rapaz crédulo e um pouco de teatro..). Mas a que melhor serve a este contexto é esta:

Para além do relógio, também o primeiro mini-truque é interessante. Interessante porque não há truque nenhum mas David Blaine consegue convencer o público que as cartas trocaram de posição na mão da vítima, e as dúvidas dissipam-se com a demonstração no baralho. Esta tendência para em caso de dúvida se confirmar o que parece consensual também é importante noutros ‘fenómenos’. E cuidado com os carteiristas.

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