Tasers de novo em discussão: morte de Robert Dziekansky

Um caso sob investigação torna a levantar questões sobre o uso abusivo de tasers por forças de segurança: Robert Dziekansky morreu no aeroporto de Vancouver depois de agredido com um taser pela polícia. O caso veio para a ribalta porque, tal como no famoso “don’t tase me bro“, o vídeo está disponível, após ter sido devolvido pela polícia ao autor (BBC – versão curta).

Contexto. Robert Dziekansky, polaco de 40 anos, tinha emigrado para o Canadá onde iria viver com a mãe, que já residia no país. Combinou encontrar-se com ela na zona das bagagens do aeroporto, visto não falar inglês, mas nenhum dos dois sabia que da zona de livre acesso não era possível ver a zona das bagagens. Ao fim de 6 horas de espera sem saber dele a mãe acabou por abandonar o aeroporto. Robert nunca tinha andado de avião até àquele dia e só saiu da zona das bagagens cerca de 10 horas depois de ter chegado. O vídeo disponível no YouTube mostra os últimos 9 minutos de Robert Dziekansky.

Morte. Num estado alterado, revelador de frustração e desorientação, Dziekansky começa a ter um comportamento desordeiro mas não parece mostrar sinais de agressividade contra pessoas. Os quatro elementos da polícia que chegam ao local rodeiam-no e disparam o taser. Mesmo com o sujeito no chão um taser é disparado segunda vez antes de os agentes o dominarem, embora não pareça ter oferecido resistência. Robert Dziekansky deixa de gritar, fica imóvel e segundos depois é chamada uma equipa de emergência ao local que o declara morto.

Tasers. Segundo a CBC já morreram 18 pessoas desde 2003 no Canadá devido ao uso de tasers, uma informação preocupante dada a leviandade com que estas armas são usadas por serem ‘não-letais’ (a maior parte das vezes). Neste caso não parece ter havido grande justificação para o uso da arma sem serem tentadas outras formas de controlar a vítima. Ainda há pouco tempo tinham surgido outros casos que também levantavam esta questão, sendo bem exemplificativo o de um miúdo de 15 anos, autista, sujeito a um taser para impedi-lo de ir em direcção à estrada. Nesse caso a justificação do agente foi que teve de escolher entre deixá-lo morrer ou dar-lhe o choque. Não parece ser a forma mais óbvia para um agente treinado subjugar alguém com 15 anos, tal como no caso da palestra de Kerry seria de supor que cinco agentes conseguissem imobilizar um estudante sem recorrer à arma, e o mesmo se aplica a um agente que viu no taser era a melhor forma de manter sob controle uma mulher já algemada.

Se dantes ‘só’ estava em causa a violência gratuita, a questão tem mesmo de ser debatida perante um caso destes. Existiam outras formas de resolver a situação, mas a falta de contenção dos agentes acabou por causar, para além do sofrimento desnecessário, mais uma morte. Alguém precisa de explicar a estes agentes policiais que os tasers servem para substituir o armas de fogo sempre que possível, e não para usar sempre que possível.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s