Ataque da Turquia ao Curdistão iraquiano

Na madrugada de sábado para domingo a Turquia lançou a sua primeira ofensiva aérea em território iraquiano, levada a cabo por cerca de 50 aviões, dois meses depois de o parlamento turco ter autorizado incursões contra alvos do PKK para lá da fronteira.

De acordo com as autoridades iraquianas dez aldeias foram atingidas resultando na morte de uma mulher. Segundo o PKK “muitos civis” terão ficado feridos e dois terão morrido, para além dos cinco combatentes mortos e dois feridos da organização terrorista.

Contexto

Retomando o tema desde a última entrada sobre esta questão, pouco depois de o parlamento ter votado a favor de incursões em território iraquiano as forças turcas lançaram ataques sobre a região curda da Turquia. Cem mil soldados turcos foram concentrados na fronteira com o Iraque, levantando a hipótese de uma invasão. As acções da Turquia foram despoletadas pela morte de doze soldados turcos e rapto de outros oito durante uma emboscada do PKK. O PKK alega ter agido em defesa a uma iniciativa das forças turcas.

Segundo o Major-General aposentado Armagan Kuloglu, o objectivo da mobilização militar será limitar as acções do PKK, colocar pressão sobre os EUA e o Iraque para resolverem a questão e sobretudo apaziguar a opinião pública turca. O conflito tem resultado em mais mortes do lado turco, que têm ajudado a alimentar o nacionalismo e a animosidade contra o PKK. Os curdos do norte do Iraque parecem ser favoráveis ao PKK e desconfiados em relação aos motivos da Turquia.

A administração americana, que depende da Turquia para manter a logística que a manutenção de tropas no Iraque requer, tem-se esforçado por atingir uma solução diplomática que evite a destabilização da região e deterioração das relações entre os EUA e a Turquia. Os EUA têm exercido pressão sobre o governo Iraquiano, que por sua vez pressionou o governo regional curdo levando à libertação dos oito prisioneiros turcos detidos pelo PKK.

A libertação dos soldados não parece ter tido o efeito apaziguador pretendido. O Ministro da Justiça turco Mehmet Ali Sahin afirmou ser preferível que os soldados tivessem morrido em combate em vez de se deixarem capturar. Esta postura parece ser maioritária na opinião pública turca, com acusações de cobardia, comportamento vergonhoso por parte dos soldados e até de traição aos outros doze soldados que foram mortos aquando da captura. Nas forças armadas turcas prossegue uma investigação para determinar se os soldados foram “voluntariamente” com o PKK, podendo ser acusados de afiliação com uma organização terrorista em caso afirmativo.

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