Índice de Percepção de Corrupção 2008

A versão de 2008 do Índice de Percepção da Corrupção da Transparency International está aí. A pontuação final, resultado da agregação várias pesquisas conduzidas este ano, vai de zero (o nível de corrupção mais alto) a 10 (sem corrupção aparente).

Os exemplos a seguir continuam a ser Dinamarca, Nova Zelândia, Suécia (9,3) e Singapura (9,2). A Finlândia, que ocupava a primeira posição o ano passado, desceu de 9,4 para 9,0 devido a alguma falta de transparência no financiamento de campanhas eleitorais. Nos últimos também não há surpresas: Somália (1,0), Birmânia (1,3) e Iraque (1,3) continuam entalados no fundo da tabela.

Portugal, que ocupava o ano passado a 28ª posição (17ª na Europa) com 6,5, desceu para a 32ª posição (19ª na Europa) com 6,1. Há um parágrafo dedicado ao país no relatório regional:

«Investigations of corruption involving prominent sports figures captured public attention in Portugal during 2008. The country, with a CPI score of 6.1 in 2008 down from 6.5 in 2007, also had its first-ever successful investigation of an illicit campaign donation. Extensive public discussions of proposals for a new approach to anti-corruption along with a failed plan, dominated public discussions in Portugal and may have affected perceptions.»

A verdade é que a situação parece longe de melhorar. De resto a UE foi marcada por várias descidas, incluindo Reino Unido, França, Alemanha e Noruega. Suspeitos do costume como Itália (4,8) e Grécia (4,7) mantêm-se abaixo de Portugal com valores preocupantemente baixos para países ocidentais. Na cauda da Europa vários escândalos permitiram à Bulgária (3,6) destronar a Roménia (3,8).

Pouca esperança parece haver para a Rússia, que atingiu o nível mais baixo dos últimos 8 anos: 2,1 e uma infame 147ª posição com Quénia e Síria.  120 mil milhões de dólares, um terço do orçamento, desaparecem anualmente dos cofres do rufia da Eurásia.

O panorama global não é agradável:

« “Nos países pobres, os níveis de corrupção podem ser a linha divisória entre a vida e a morte, quando dinheiro para hospitais ou água potável está em questão” disse Huguette Labelle, que preside a Transparency International. “Os aumentos contínuos nos níveis de corrupção e pobreza, que assombram muitas das sociedades do mundo, caminham para um desastre humanitário e não podem ser tolerados. Porém, até mesmo nos países mais privilegiados, onde as sanções são aplicadas de forma perturbadoramente desiguais, o combate à corrupção precisa ser enrijecido.” » [ref]

Quanto aos países subdesenvolvidos, Labelle acrescentou ainda que o programa de água e saneamento básico das Nações Unidas poderá ser encarecido em 50 mil milhões de dólares devido à corrupção. Angola e Guiné-Bissau continuam a ser os países lusófonos mais baixos, descendo de 2,2 para 1,9 e confirmando o que continuo a ouvir sobre o estado do país liderado pela corja de José Eduardo dos Santos.

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