Instaurado inquérito sobre caos eleitoral com cartão do cidadão

Se já pouco compreensível é que a transição para cartão do cidadão implique tantas alterações, é absurdo que o portal e o sistema por SMS não estivessem preparados para aguentar o previsível pico de tráfego em dia de eleições. Alguns eleitores desistiram, outros insistiram estoicamente para participar em eleições que só inspiraram resignação.

Entraves desta envergadura ao direito de voto não podem ser admitidos. É uma questão de princípio importante. Não vale a pena argumentar que as pessoas deviam ter tratado disso antes. O ónus não está do lado do cidadão nestas mudanças da burocracia administrativa. O Ministro da Administração Interna anunciou um inquérito a ser realizado pela Universidade do Minho.

«Quero deixar aqui claro que a principal preocupação é compreender tudo quanto se passou mas fazê-lo com o interesse de impedir que se repita. E por isso o contacto com a Universidade implica uma primeira análise ao que se passou, depois auditoria ao sistema e o acompanhamento do próximo processo eleitoral para garantir que nada disto se repete.» – Rui Pereira (SIC)

Não está apenas em causa garantir que o incidente não se repita. Para isso não seria preciso fazer nada, já que não há de voltar a haver tanta gente na mesma condição. O que também não se repete são as presidenciais de 2011. Algures entre o ministro e as empresas encarregues pelos sistemas informáticos, inclusive,  têm de surgir responsáveis. A culpa só deve ser aceite como sendo de uma empresa contratada se for possível exigir uma indemnização. Caso contrário, alguém do lado público (CNE, MAI..) terá de ser devidamente responsabilizado.

O inquérito com duração prevista de duas semanas a realizar pela UMinho será de natureza técnica, tendo posterior análise política pelo MAI. O ministro será então novamente chamado ao parlamento. Rui Pereira acabou por estar bem, em contraste com as justificações atabalhoadas de Paulo Machado, Director-Geral da Administração Interna (que inicialmente tentou até ilibar a transição para o cartão de cidadão):

«Todos os anos entram no recenseamento eleitoral cerca de 120 mil novos eleitores. Não têm tradição e não sabem onde vão votar pela primeira vez» – Paulo Machado, 23/Jan/2011 (TVI)

«O Governo cometeu erros crassos na forma como articulou a emissão do cartão do cidadão com o recenseamento eleitoral» – Rui Pereira 25/Jan/2011 (SOL)

«Há um disparo que fez esta concentração. Não sendo informático trabalhei muitos anos com hidráulicos que tem para isto um nome, factor de carga. Que é que aconteceu? Nós estávamos preparados para ter uma chuva intensa e tivemos uma tromba d´água.» – Paulo Machado 25/Jan/2011 (idem)

«Apesar de o senhor director-geral compreensivelmente querer dar estas explicações técnicas, eu queria pedir aos deputados um pouco de paciência que não será muita.» – Rui Pereira 25/Jan/2011 (idem)

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