Quando vamos poder ouvir Fernando Nobre no parlamento?

O surpreendente resultado de Manuel Alegre nas primeiras presidenciais a que concorreu pareceu uma mensagem clara por parte do eleitorado: candidaturas independentes são bem vindas. Entre dois candidatos com longo historial na liderança do país ele representava a ruptura com a hegemonia partidária.

Enquanto Alegre por muito tempo não se calou com o seu milhão de votos, outros ouviram a mensagem e lá fomos presenteados com três candidaturas sem apoio partidário. Fernando Nobre, um independente mais independente que os outros vindo da prestigiada AMI, parecia à partida muito bem colocado para captar este eleitorado.

Nobre entrou bem, mas com o tempo foi mostrando que para além da bazófia contra a classe política não tinha nada para oferecer. Não mostrou sequer fazer ideia sobre para que servia um Presidente da República. O pior mesmo foi deixar-se embriagar com o apoio popular até atingir um transe messiânico que culminou no empolgado discurso do tiro na cabeça.

Quem não estava empolgado era o eleitorado. Abstenção, brancos e nulos subiram consideravelmente. Alegre percebeu que o milhão nunca lhe pertencera. Nobre, apoiado por uma máquina considerável mas concorrendo com outros receptáculos para o voto de protesto, não conseguiu chegar perto da marca anterior de Alegre.

Na ausência de alguém que o alvejasse na cabeça bastaram uns tiros auto-infligidos no pé para afastá-lo de qualquer cargo político. Qualquer credibilidade que lhe sobrasse da campanha para as presidenciais esfumou-se quando aceitou encabeçar a lista do PSD para Lisboa, tão pouco tempo depois de ter jurado a pés juntos que nunca aceitaria fazer tal vilanagem. Caso ainda sobrassem dúvidas sobre a sua coerência, parece que vai continuar como deputado depois de deixar tão claro que só o faria caso se desse a sua ascensão a número dois da República.

Da parte de Passos Coelho foi uma jogada compreensível; ter Nobre como cabeça de lista em Lisboa para tentar captar o voto anti-sistema sempre é melhor que a ideia do PS de pôr o Telmo do Big Brother num lugar não elegível em Leiria para captar sabe-se lá o quê. Ceder na sua exigência de presidir a assembleia já foi pura parvoíce.

Com a excepção do caso improvável de o presidente ter de abdicar subitamente, presidente da assembleia é um cargo puramente técnico. A ideologia é completamente secundária, pede-se que vá olhando para o relógio e que faça cumprir os regulamentos. Se tudo correr bem mal se dá por ele.

Fernando Nobre é um leigo que tinha tudo para ser um embaraço como presidente da Assembleia. Felizmente sobrou algum bom senso e chumbou duas vezes. Assunção Esteves pelo contrário tem um currículo perfeito para o cargo. Estreou-se bem hoje mas não pude deixar de pensar o quão mais divertida seria a assembleia se Nobre fosse o presidente.

O monárquico que queria ser presidente, o maçom que é contra o sistema, alguém que dizia rever-se nas ideias do BE mas acabou a apoiar o programa do PSD (sem o ter lido) continua como deputado. E eu continuo à espera da sua primeira intervenção.

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